A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, reacendeu a disputa política no Distrito Federal. Com o senador Ciro Nogueira apontado entre os alvos, o líder da oposição no Congresso, Izalci Lucas (PL-DF), cobrou publicamente explicações da governadora Celina Leão (PP) sobre a suposta influência do parlamentar nas nomeações e decisões do Palácio do Buriti.
Izalci associou a ação da PF a indícios de ligação entre o Banco de Brasília (BRB) e ativos descritos como duvidosos nas investigações ligadas ao Banco Master, e pediu transparência: segundo ele, o PL precisa oferecer ao eleitorado distrital um projeto “limpo e técnico” para 2026. Nos bastidores, a tensão aumenta: a intervenção de aliados de Michelle Bolsonaro em favor de Celina tem ampliado a dificuldade do próprio Izalci em consolidar sua pré-candidatura.
A governadora reagiu por nota, afirmando que a apuração teve início em auditoria interna do BRB e que o governo não tolerará desvios. O documento enfatiza que o banco comunicou às autoridades as irregularidades detectadas, e que as apurações seguirão com transparência e sem privilégios. Do Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça autorizou medidas relacionadas à operação, incluindo restrições contra o senador Nogueira.
A defesa do parlamentar, por meio do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, classificou a medida como “estranha”, ao alegar que parte das diligências teria se baseado em dados extraídos de celulares de terceiros. Independentemente das alegações jurídicas, o episódio instala um foco de pressão política sobre a gestão local, expõe fragilidades na imagem do BRB e complica a já delicada costura interna do PL no Distrito Federal.