A Câmara de Balneário Camboriú rejeitou por 10 votos a 5 — com uma abstenção — o pedido do vereador Jair Renan (PL) para abonar a ausência em sessão realizada em 16 de setembro. Pelo regimento interno local, faltas não justificadas acarretarão desconto proporcional; no caso do vereador, a ausência implicará corte de R$ 2,2 mil sobre o vencimento mensal de R$ 18,2 mil.
A negativa veio em meio a críticas de colegas, que questionaram o timing do pedido diante da campanha de Jair Renan à Câmara dos Deputados. O vereador Marcelo Achutti (MDB) cobrou conduta similar à adotada por outros candidatos, citando que quem concorre costuma se licenciar e abrir espaço ao suplente. Jair Renan alegou motivos pessoais para a ausência e disse que usa recursos de campanha com responsabilidade, mas a argumentação não sensibilizou a maioria do plenário.
O episódio acentua um padrão já observado: desde o início da campanha, em 16 de agosto, Jair Renan faltou a três sessões — uma em agosto e duas neste mês — e também apresentou presença reduzida em comissões. Entre janeiro e junho, compareceu a apenas três das 12 reuniões da comissão de Segurança Pública, o que levou o presidente do colegiado a pedir sua saída por excesso de faltas. Reportagens locais também apontam baixa produtividade legislativa: quatro projetos aprovados em um ano e meio, sem implementação, e ao menos um acusado de reproduzir texto de outra casa legislativa sem o devido crédito.
Politicamente, o desconto é pequeno diante do montante envolvido em uma campanha, mas tem efeito simbólico. A votação contrária mostra resistência da Câmara em facilitar abonos em período de campanha e cria narrativa negativa para um candidato com frequência reduzida no plenário e nas comissões. Para a campanha de Jair Renan, que busca transferência de capital político estadual, a sequência de ausências, as críticas públicas e a cobertura da imprensa podem pesar nas urnas e ampliar o escrutínio sobre sua atuação municipal.