A janela partidária que vigora entre 5 de março e 3 de abril provocou uma reconfiguração acelerada no mapa político de Minas Gerais: ao menos 33 parlamentares trocaram de legenda, segundo levantamento do Estado de Minas. O movimento, que vai do Senado à Câmara Municipal de Belo Horizonte, redesenha as forças locais e tem efeitos práticos já percebíveis na montagem de chapas e na capacidade de coalizões em costurar apoios.

No Senado, as alterações vieram na reta final do prazo. Rodrigo Pacheco deixou o PSD e se filiou ao PSB, sem confirmar candidatura ao governo estadual — apesar de ser hoje apontado como o principal nome de centro-esquerda com apoio do presidente Lula. Já Carlos Viana migrou do Podemos para o PSD e tende a compor a chapa do governador Mateus Simões na tentativa de reeleição, o que abre uma disputa interna por vagas e complica a costura com o PL na base governista.

A janela partidária em Minas redesenhou forças e já altera a capacidade de negociação das legendas para montar chapas competitivas.

Na Câmara dos Deputados mineira, a mudança mais visível foi o avanço do PL: o partido cresceu de 10 para 14 cadeiras após filiações que incluíram parlamentares vindos do Avante e de outras siglas, acompanhando tendência nacional de expansão da bancada. O fenômeno é impulsionado no estado por puxadores de votos locais, mas também altera a correlação de forças entre legendas tradicionais, enquanto o PT manteve 10 cadeiras no Congresso federal representando Minas.

O Avante foi o maior prejudicado pela janela em Minas: sofreu uma debandada e passou a contar com apenas um representante federal, além de perder quadros para outras siglas — entre elas a migração de André Janones para a Rede. No plano federal também há movimentação administrativa: o presidente nacional do Avante, Luis Tibé, permanece licenciado por 120 dias e tem o suplente Heber Neiva (Vavá) como ocupante temporário da cadeira.

Na Assembleia Legislativa, o PSD cresceu e passou a dividir a liderança com o PT, ficando ambos com 14 deputados; o partido avançou com filiações de nomes vindos de Cidadania, Republicanos e MDB. O União Brasil ampliou presença com quatro novos parlamentares. O resultado da janela em Minas, portanto, não apenas fortalece algumas siglas, mas também fragiliza outras e tende a intensificar negociações e disputas internas na composição de chapas para 2024 — um sinal de que a disputa eleitoral estadual será marcada por rearranjos e custo político para quem perder musculatura organizacional.

O avanço do PL na bancada federal e o fortalecimento simultâneo de PSD e PT na Assembleia tornam o tabuleiro eleitoral mais fragmentado e disputado.