A primeira-dama Janja Lula da Silva publicou uma manifestação pública de solidariedade a Michelle Bolsonaro e à senadora Damares Alves após ataques a ambas nas redes sociais, num episódio que veio a público em meio a tensões internas no campo bolsonarista. Em entrevistas à Folha de S.Paulo e ao UOL, Janja afirmou que a defesa às mulheres deve superar divergências partidárias e que a misoginia atravessa espectros ideológicos.

O episódio envolvendo Michelle — que relatou ter sido desrespeitada em discussões com integrantes do PL — expôs fissuras entre aliados e provocou reação pública de defensores da ex-primeira-dama. Janja citou dados e argumentos para sublinhar que a violência contra mulheres não é exclusividade de um lado e mencionou que uma parcela expressiva das vítimas se identifica como evangélica, sinalizando que setores conservadores também começam a reconhecer o problema.

Ao relacionar o caso ao debate legislativo, a primeira-dama aproveitou para pressionar pela aprovação do chamado PL da Misoginia, já aprovado no Senado e em tramitação na Câmara. O seu posicionamento transforma um conflito interno do bolsonarismo em argumento público a favor da criminalização da misoginia, o que pode complicar a narrativa dos conservadores em Brasília e elevar a pressão sobre deputados que hesitam em votar o projeto.

Na perspectiva política, a intervenção de Janja tende a acender um sinal de alerta para o campo governista e para a bancada conservadora: o tema passa a transpor contornos partidários e ganha apelo público. A frase de Janja — em sintonia com a pauta do Pacto Nacional do Feminicídio — reforça a urgência do debate no Congresso e indica que o episódio pode ter impacto na disputa por corações e votos, além de agregar custo político a quem se omitir diante da pauta.