A primeira-dama Janja da Silva afirmou em comício realizado em Teresina que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "verdadeiro ungido de Deus", elogiando medidas sociais e o desempenho do governo. O discurso, voltado à defesa da gestão petista, surge no mesmo momento em que o termo "ungido" ganhou destaque na política, associado a lideranças evangélicas e ao ministro André Mendonça.

Janja destacou avanços citados pela equipe do governo — como políticas de combate à fome, investimentos em saúde e educação — para justificar a comparação. A fala teve caráter celebratório e de mobilização: reforçou a narrativa de que a administração devolveu serviços básicos à população e ampliou oportunidades, especialmente para crianças e idosos.

Ao mesmo tempo, a primeira-dama direcionou críticas duras à família Bolsonaro, afirmando que o grupo não apresentou projeto para o Nordeste e evocando a memória de dificuldades vividas pela população em gestões anteriores. A menção explícita aos adversários nacionais reforça o tom de confronto do evento e a estratégia de polarização eleitoral.

Politicamente, declarações desse tipo produzem efeitos duplos: podem energizar a base e consolidar apoio entre eleitores mais alinhados, mas também alimentam o debate sobre a mistura entre religião e poder público, abrindo espaço para críticas de adversários e de eleitores moderados. No contexto em que o termo "ungido" voltou a circular no debate público, a fala de Janja tende a intensificar a disputa simbólica entre campos políticos e religiosos.