A primeira-dama Janja Lula da Silva colocou as mulheres no centro do discurso em evento de campanha no Rio de Janeiro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A fala, direcionada especialmente às eleitoras, reafirma a tentativa do PT de transformar demandas sociais em eixo político para o período eleitoral.

Janja fez homenagem explícita à ex-senadora Benedita da Silva, apontada como símbolo da trajetória de mulheres negras na política, e citou Marielle Franco como referência de resistência. A sucessão de referências busca ao mesmo tempo legitimar a representação feminina e reforçar vínculo com parcelas do eleitorado mais sensíveis a pautas identitárias e comunitárias.

No roteiro apresentado, a primeira-dama priorizou combate à violência e ao feminicídio, políticas de saúde para mulheres, ampliação do ensino em tempo integral e ações que conciliem trabalho e cuidados familiares. Ela também mencionou comunidades cariocas — como Maré, Rocinha e Cidade de Deus — como exemplos das bases sociais a serem alcançadas.

Politicamente, a mensagem é clara: há aposta em mobilizar o eleitorado feminino como fator decisivo, repetindo, na avaliação do Palácio, o papel que teria sido crucial em 2022. A movimentação procura consolidar apoio entre trabalhadoras e residentes de periferias, convertendo pautas sociais em capital político para a campanha.

O gesto tem potencial para fortalecer a ligação do governo com segmentos de base, mas também exige que o discurso se traduza em resultados concretos para evitar desgaste. Ao transformar a agenda das mulheres em eixo de campanha, a primeira-dama sinaliza prioridade estratégica — e força a oposição a responder sobre segurança, oportunidades e proteção às mulheres.