O conselheiro especial para parcerias globais do presidente dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, provocou repercussão ao fazer comentários misóginos sobre mulheres brasileiras em entrevista à emissora italiana RAI. Ao tratar de questões relativas à sua separação e disputa judicial pela guarda do filho, Zampolli descreveu brasileiras como "uma raça maldita" e afirmou que seriam "programadas para causar confusão", referindo-se também a uma pessoa ligada à ex-esposa.
A primeira-dama Janja Lula da Silva reagiu nas redes sociais, dizendo ser "impossível não se indignar" diante das declarações e lembrando o contexto do processo em que a ex-companheira do assessor o acusa de violência doméstica e abuso sexual e psicológico. Janja afirmou que tais ataques não diminuem as mulheres brasileiras e ressaltou a importância da união no combate ao machismo e à misoginia.
Pelo governo, o Ministério das Mulheres emitiu nota oficial classificando a fala como ofensiva e afirmando que a misoginia configura manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, não podendo ser relativizada pelo argumento de liberdade de expressão. O órgão reafirmou o compromisso do Estado com a proteção de meninas e mulheres e com políticas de prevenção à violência de gênero.
Além do impacto direto sobre as vítimas do discurso, o episódio traz consequências políticas e diplomáticas: expõe figura ligada à administração americana a críticas e pode exigir posicionamento ou distanciamento por parte de Washington; no plano interno, fortalece a postura do governo brasileiro em defesa dos direitos das mulheres. O caso também reabre debate sobre responsabilidade pública de assessores e os riscos que declarações misóginas representam para a convivência democrática e para a segurança das vítimas.