A primeira-dama Janja Lula da Silva participou, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas, realizado no Gama (DF). Diante de cerca de 600 lideranças vindas de 24 estados e de delegações internacionais, ela abriu a fala com a leitura de nomes de vítimas recentes da violência de gênero, momento que emocionou a plateia e marcou o tom do encontro.
Janja citou levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para lembrar que a violência não atinge todas as mulheres da mesma forma: cerca de 62% das vítimas de feminicídio registradas entre 2021 e 2024 eram mulheres negras. A primeira-dama denunciou a invisibilidade que cerca essas mortes — a dificuldade, segundo ela, de reconhecer publicamente a condição racial das vítimas agrava a repetição do crime e a desigualdade no acesso à proteção.
No discurso, ela ressaltou medidas do governo federal apontadas como avanços no enfrentamento ao feminicídio: o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, a redução do tempo de análise de medidas protetivas, maior emprego de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores e o fortalecimento das redes de acolhimento. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, disse que as mulheres quilombolas são centrais na defesa de territórios e na luta por reparação, democracia e justiça climática.
A presença da primeira-dama e o destaque a estatísticas e programas federais sublinham um problema persistente: medidas anunciadas convivem com taxas elevadas e com a sensação de invisibilidade nas comunidades negras. Esse contraste acende um alerta político para o governo — há pressão por efetividade nas ações e por atenção específica às demandas territoriais e raciais. O encontro, que segue até 14 de junho, reforça a mobilização das comunidades e amplia a visibilidade das reivindicações.