Em entrevista ao podcast Frente a Frente (UOL/Folha), a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, afirmou que os ataques dirigidos a ela fazem parte de uma estratégia da extrema-direita para atingir o presidente Lula. Segundo a primeira-dama, é politicamente mais fácil alvejar sua imagem do que chegar ao chefe do Executivo. Ela também prestou solidariedade a mulheres da oposição que sofreram violência de gênero, como Michelle e Damares, e relatou episódios de assédio sofridos pessoalmente.
Janja rebateu as críticas sobre gastos com viagens internacionais, argumento recorrente da oposição, e atribuiu parte das acusações ao preconceito de classe e à misoginia. Explicou que, por determinação da Polícia Federal, precisa viajar em classe executiva e contar com comitiva de segurança — ações que, na sua avaliação, são distorcidas para construir uma narrativa de “gastadeira”. Ela ressaltou que todas as agendas são públicas e que o Tribunal de Contas da União arquivou, por unanimidade, as apurações sobre suas despesas.
Na entrevista, a primeira-dama colocou-se como defensora do projeto de lei (PL 896/2023) que prevê a criminalização da misoginia, articulando a pauta como parte do enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. A proposta, em tramitação na Câmara, tende a acender um debate intenso no Congresso e entre setores jurídicos e midiáticos: para o governo, trata-se de um tema de alto alcance simbólico, mas que também pode complicar a agenda política e gerar resistência de opositores e especialistas em liberdade de expressão.
Do ponto de vista político, o episódio ilustra um problema prático para o Planalto: a personificação do ataque em torno da primeira-dama cria um ponto focal de desgaste que, mesmo com decisões favoráveis do TCU, persiste na arena pública. A estratégia oposicionista de transformar aspectos protocolares em narrativa política reforça a necessidade de resposta comunicacional e de negociações no Congresso. A defesa pública da criminalização da misoginia mantém Janja no eixo de uma disputa simbólica ampla, com potencial custo político e institucional para o governo.