A primeira-dama Janja Lula da Silva divulgou nota criticando falas do presidenciável Renan Santos durante o primeiro debate da campanha, promovido pela Band no domingo (23/8). Na manifestação encaminhada à emissora, ela qualificou as declarações como ataques pessoais e expressão de misoginia. Renan respondeu em vídeo nas redes sociais, negando intenção discriminatória. O caso foi formalmente levado ao Ministério Público Eleitoral por meio de representação.

No debate, Renan questionou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recorreu a referências à companheira do petista para ridicularizar o adversário. Janja destacou que não é candidata e que, por não estar presente, não teve como se defender, o que, para ela, impede tratar as falas como mera crítica política. A primeira-dama afirmou também que episódios do tipo não devem ser naturalizados nem reduzidos a 'brincadeira' em ambiente de campanha.

O presidenciável negou que tenha cometido misoginia e afirmou que críticas a figuras públicas mulheres não podem ser automaticamente criminalizadas, postura que expôs tensão sobre limites do debate eleitoral. A nota de Janja lembrou ainda episódio anterior de 2017 envolvendo Renan, que na ocasião chamou a declaração de 'piada infeliz' e disse arrepender‑se. A representação apresentada à Promotoria — assinada por Olímpio Rocha (PSol) — cita possível injúria eleitoral e o artigo 243 do Código Eleitoral, que trata de propaganda que deprecia a condição da mulher.

Além do efeito imediato sobre a imagem do candidato, o episódio acende alerta político: agrava risco de desgaste e força as campanhas a posicionamentos públicos rápidos. A controvérsia chega num momento em que o Congresso debate a tipificação de condutas misóginas no PL 896/2023, o que amplia as implicações institucionais do caso. Caberá ao Ministério Público Eleitoral avaliar se houve violação legal; na esfera política, a troca pública obriga Renan a calibrar discurso e aliados a medir o custo de normalizar referências pejorativas a mulheres em palanque.