A primeira-dama Janja da Silva enviou uma mensagem direta à coordenadora da campanha no Tocantins, Kátia Abreu, para comunicar que não reduzirá sua presença nos palanques. O gesto ocorreu na esteira de uma reunião de coordenadores em Brasília, na terça-feira (6), onde houve críticas internas sobre o que alguns classificaram como protagonismo excessivo da primeira-dama.
Segundo relatos da reunião, pelo menos três coordenadores defenderam maior espaço para o vice-presidente Geraldo Alckmin e cobraram ajustes na estratégia de comunicação. Em paralelo às críticas, surgiram queixas sobre o comportamento da equipe de Janja — incluindo a assessora Neudicléia Neres de Oliveira, conhecida como Neudi — e relatos de tratamento ríspido a autoridades locais e a servidores do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que atuam nos atos.
Procurada sobre o conteúdo da mensagem, Kátia Abreu não confirmou o recebimento formal e preferiu descartar que o episódio virasse rumor interno. Já a assessoria de Janja publicou nota afirmando que ela seguirá participando das atividades de campanha porque sua atuação tem o respaldo do presidente Lula, e que o objetivo comum é a reeleição.
A troca pública de recados expõe uma tensão real na coordenação do segundo turno: a presença contínua da primeira-dama é um trunfo de mobilização para setores do eleitorado, mas também cria desconforto entre coordenadores regionais que pedem equilíbrio na montagem dos palanques. Internamente, a disputa por protagonismo de equipe e a percepção de desrespeito a lideranças locais podem custar coesão e prejudicar articulação territorial no momento decisivo da campanha.
Na prática, o episódio obriga o núcleo petista a decidir se mantém a tática atual, com riscos de desgaste e questionamentos sobre disciplina de campanha, ou se promove ajustes para acomodar aliados e fortalecer a presença do vice. A resposta oficial — e a continuidade das aparições de Janja — mostra, por ora, prioridade à estratégia presidencial, mas deixa aberta a possibilidade de novos atritos à medida que avançam as agendas de rua.