O deputado federal André Janones avaliou nesta terça que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pagou caro por uma postura acomodada e perdeu terreno já no primeiro turno, ponto em que o senador Flávio Bolsonaro apareceu à frente. Coordenador do grupo conhecido como 'Exército do Lula', que reúne milhões de apoiadores, Janones atribui a falha à incapacidade de levar a narrativa para a ponta e à prioridade dada a celebrações internas em vez de mobilização efetiva.

Diante desse diagnóstico, o parlamentar definiu diretrizes para a atuação digital: fiscalizar a base de forma direta e priorizar o engajamento orgânico em vez de apenas inflar números de participação. Para Janones, a eficácia da mobilização passa por capilaridade real e interação consistente com eleitores, não só pelo crescimento do total de inscritos em grupos e canais.

O debate ganhou contorno institucional ainda durante a terça-feira, quando o ministro Kassio Nunes Marques determinou nova suspensão do canal no WhatsApp ligado ao deputado. A sequência de decisões judiciais sobre a plataforma cria instabilidade operacional e, nas palavras do próprio Janones, será cumprida — ele afirmou que respeitará ordens do Judiciário enquanto busca alternativas de atuação.

Politicamente, a combinação entre a autocrítica do entorno de Lula e a turbulência judicial amplia desgaste e complica a narrativa oficial sobre superioridade nas redes. A sinalização pública de revisão de estratégia por parte de um coordenador com grande capacidade de mobilização coloca pressão para ajustes rápidos na campanha e exige coordenação entre partidos, aliados e operadores digitais na reta a seguir.