O deputado federal André Janones reforçou sua relevância na campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ao criar o 'Exército do Lula', canal no WhatsApp que passou a reunir mais de 4,6 milhões de seguidores e a orientar ações de compartilhamento e engajamento nas redes. A força numérica colocou a mobilização de apoiadores na linha de frente da disputa digital, mas também trouxe o grupo para o centro de uma controvérsia jurídica que acende alerta sobre os limites entre ativismo espontâneo e coordenação com a candidatura oficial.
Formado em Direito e com trajetória política a partir de Ituiutaba (MG), Janones ganhou projeção nacional pelas transmissões em redes sociais durante a greve dos caminhoneiros de 2018. Ele foi eleito deputado federal em 2018, reeleito em 2022 e voltou ao Congresso em 2026 com cerca de 78.780 votos, agora filiado à Rede Sustentabilidade. Em 2022 chegou a lançar pré-candidatura presidencial pelo Avante, mas recuou para apoiar Lula — trajetória que ajuda a explicar a confiança da campanha em sua capacidade de mobilização.
O funcionamento do 'Exército do Lula' consiste em orientações diretas a voluntários: curtir publicações, comentar, compartilhar vídeos em diferentes plataformas e encaminhar material por WhatsApp para ampliar o alcance de conteúdo favorável ao petista. A estratégia, porém, foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou suspensões do canal ao identificar indícios de atuação coordenada com a campanha, levando a registro judicial do endereço pela candidatura de Lula e a questionamentos sobre diferença de tratamento em relação a outros grupos, como a chamada 'Tropa do Flávio'.
Politicamente, a iniciativa reforça a capacidade de alcance da base governista, mas a reação da Justiça Eleitoral amplia desgaste e complica a narrativa oficial sobre espontaneidade das mobilizações. A disputa jurídica pode limitar ações digitais e impor custos reputacionais tanto para Janones quanto para a campanha, sobretudo por registros anteriores que acompanham o deputado: um caso de suposta 'rachadinha' foi arquivado pelo Conselho de Ética, e ele fechou acordo no STF com pagamento aproximado de R$ 157,8 mil. Em resumo, o 'Exército' devolveu protagonismo ao parlamentar, mas também colocou em evidência o risco de contaminação legal da estratégia de mobilização — um problema com efeitos práticos em quem tenta controlar a circulação de mensagens na reta final da eleição.