André Janones foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada e, ao deixar o encontro, evitou confirmar um ingresso no Executivo. Segundo o deputado reeleito, a decisão depende do presidente, mas ele sinalizou preferência por seguir na Câmara, onde acredita poder oferecer maior apoio ao governo.

A avaliação de Janones altera o cálculo do Planalto sobre a proposta em discussão na Esplanada: a criação de uma secretaria especial de Comunicação Digital com status de ministério, cenário que já vinha vinculando o deputado ao cargo. Para ocupar a vaga, ele teria de se licenciar do mandato — uma mudança que, se confirmada, mudaria a dinâmica de força política na bancada de Minas e no Congresso.

A trajetória de Janones no tabuleiro político dá peso à negociação. O parlamentar ganhou visibilidade coordenando mobilizações digitais em 2022 e chegou a ser cotado para cargos de comunicação, mas enfrentou resistência interna do PT em razão de seu estilo combativo e de episódios que voltam a pesar agora: em 2025 ele firmou acordo com a Procuradoria-Geral da República por prática de rachadinha no gabinete e concordou em pagar R$ 157,8 mil; há ainda uma acusação da ex-esposa que resultou em medida protetiva, caso que tramita sob sigilo.

Politicamente, a preferência de Janones por permanecer na Câmara deixa o governo diante de duas escolhas: insistir na criação da secretaria e buscar outro nome executivo — o que pode custar capital político — ou reforçar a estratégia de construir base parlamentar com o próprio deputado como aliado no Legislativo. A sinalização também expõe uma realidade prática: mesmo com prioridade em comunicação digital, o Palácio terá de negociar cargos e expectativas para não perder apoio que se traduz em votos e articulação em plenário.