A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 9ª fase da operação Compliance Zero e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Ao todo, foram 18 ordens executadas na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura um suposto esquema de fraudes, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução ligado ao Banco Master. Segundo informações obtidas por veículos de imprensa, o foco inclui a relação de Wagner com o banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado de Daniel Vorcaro, e se o senador atuou em favor de projetos de interesse do banco, como a chamada “Emenda Master” e proposta para ampliar o crédito consignado.

Os investigadores apontam ainda suspeitas de vantagens indevidas — entre elas a entrega de um apartamento, repasses de cerca de R$3,5 milhões via empresa ligada a familiares, além do uso de aeronaves e ingressos para shows. O nome do senador já havia sido citado em fases anteriores do caso, inclusive quando a nora de Wagner recebeu recursos do Master por meio da BK Financeira; à época ele negou qualquer participação.

Politicamente, a presença do líder do governo entre os alvos acende alerta para a base aliada e amplia desgaste sobre o discurso de controle e governabilidade do Executivo. Ainda que um inquérito anterior ligado a obras da Arena Fonte Nova tenha sido arquivado pela Justiça em fevereiro de 2025, a nova fase da Compliance Zero promete intensificar o escrutínio sobre o senador e pode cobrar respostas formais do Planalto à medida que a apuração avança.