O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, é um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18/6). Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços vinculados ao parlamentar; ao todo são 18 ordens judiciais nas regiões da Bahia, São Paulo e do Distrito Federal, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça envolvendo o Banco Master. Segundo relatos da imprensa, a fase em curso mira a relação entre Wagner e o banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado de Daniel Vorcaro, e busca esclarecer se o senador atuou em defesa de projetos de interesse da instituição financeira.

Entre os pontos sob investigação estão a chamada "Emenda Master" e uma proposta que ampliava o limite do crédito consignado — medidas que teriam potencial impacto direto no mercado de crédito e em interesses do banco. Para um líder do governo no Senado ser incluído em operação com essas características representa um desafio político: cria pressão sobre a imagem do Planalto e exige esclarecimentos públicos, sem que se prejulgue o mérito das apurações.

O caso ainda seguirá os trâmites judiciais. A presença de ordens do STF e a extensão das diligências mostram a profundidade da investigação, que pode ter desdobramentos institucionais e eleitorais dependendo das evidências levantadas. Em Brasília, a situação tende a intensificar o debate sobre influência de setores financeiros em projetos legislativos e sobre a necessidade de transparência no relacionamento entre parlamentares e entidades privadas.