A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) protocolou no Supremo Tribunal Federal recurso contra a decisão que autorizou a operação da Polícia Federal realizada na semana passada. O pedido, apresentado na segunda-feira (22), sustenta que a ordem judicial continha 'erros graves' que comprometem a validade das buscas e apreensões no inquérito sobre supostos favorecimentos ao Banco Master.
Relatório da PF aponta Wagner como suposto beneficiário de vantagens atribuídas a pessoas ligadas ao banco e investiga a proximidade com Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os fatos sob análise estão atos do parlamentar em temas sensíveis ao setor financeiro, como propostas sobre crédito consignado, limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a fiscalização da compra do Master pelo BRB.
Na peça ao STF, o advogado Pablo Domingues afirma que o senador 'jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer' o Banco Master, citando que a única emenda de Wagner relacionada ao tema buscava limitar juros e ampliar proteção ao consumidor. A defesa também contesta a apreensão de valores em espécie — US$ 49 mil encontrados em quarto do hotel Brasília Palace e 33,5 mil euros e US$ 6,1 mil em imóvel em Salvador — e afirma que a origem é lícita, com parte proveniente de diárias oficiais; aponta ainda que o Ministério Público Federal teria considerado prematura a medida.
Além da disputa técnica no Judiciário, o caso tem impacto político imediato. Como líder do governo no Senado, Wagner transforma a investigação em fonte potencial de desgaste para a base aliada e cria tensão sobre a narrativa do Planalto. O recurso ao STF coloca sob revisão a atuação da PF e testa a capacidade da gestão de reagir sem perder interlocução no Congresso, enquanto o desfecho promete definir consequências institucionais e políticas para os próximos dias.