O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), fez nesta sexta-feira (26) uma defesa pública do senador Jaques Wagner (PT-BA) em evento partidário em Barreiras. Wagner é alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o chamado Caso Master, e teve buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal na semana passada.
Agentes federais encontraram, na residência do senador em Brasília, US$ 49 mil em espécie — valor que a PF já informou como apreendido — além de relógios de luxo. Wagner afirmou que parte do dinheiro corresponde a diárias do Senado, que diz ter recebido desde 2019, e que os pagamentos em dólar são entregues em envelopes com timbre da Casa. O senador também negou irregularidade na compra do apartamento que motivou o foco sobre o empresário Augusto Lima, outro investigado pela operação.
No palanque baiano, Jerônimo abraçou Wagner e tentou deslocar o foco para uma narrativa de injustiça: segundo o governador, a vida pública de quem atua em políticas sociais tem sido tratada como suspeita por adversários. Sem minimizar a investigação, a declaração buscou reforçar a versão de inocência e amparar politicamente o senador, que já anunciou que concentrará esforços na sua defesa.
A operação e as apreensões têm efeito político imediato. Wagner deixou a liderança do governo no Senado após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passo que o próprio parlamentar disse ter tomado para dedicar-se à defesa e ao apoio à reeleição. Para o Palácio e para o PT, o caso representa um desgaste: além do custo de imagem, cria espaço para ataques da oposição e tensiona articulações parlamentares essenciais à agenda do Executivo.
Do ponto de vista institucional, o episódio reforça a importância de provas e transparência na condução das apurações. Politicamente, impõe ao PT uma dupla tarefa: responder às suspeitas com elementos factuais e ao mesmo tempo administrar o impacto em sua capacidade de governar e de manter a coesão da base. A investigação seguirá seu curso; nos próximos passos estarão a produção de provas e eventual encaminhamento judicial, enquanto o partido avalia riscos eleitorais e comunicacionais.