A ex-deputada Joice Hasselmann voltou a dizer que já havia alertado publicamente sobre um suposto plano do senador Flávio Bolsonaro para deixar o país caso fosse derrotado no pleito presidencial. As declarações, divulgadas em suas redes, ganharam novo eco nesta terça-feira diante da investigação da Polícia Federal sobre o paradeiro do parlamentar e do cancelamento de seus passaportes.
A suspeita ganhou repercussão depois de reportagem do portal argentino Infobae que afirmou, sem confirmação oficial, que Flávio teria cruzado a fronteira rumo à Argentina e embarcado em voo particular para os Estados Unidos. Autoridades argentinas dizem não ter registros da entrada do senador; as informações ainda não foram confirmadas por órgãos brasileiros. Joice afirma ter recebido relatos vindos de pessoas ligadas ao grupo político do próprio senador, mas não apresentou documentação que comprove o plano.
A interrupção do uso dos passaportes comum e diplomático foi determinada após ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, que fixou prazo para a entrega dos documentos. Como não houve cumprimento dentro do prazo, a PF procedeu ao cancelamento. A medida formaliza a escalada das diligências e sinaliza que as instituições investigam a possibilidade de deslocamento irregular, sem transformar rumores em conclusão.
Politicamente, o caso complica a narrativa do bolsonarismo pós-eleição: alimenta dúvidas sobre coordenação entre aliados, aumenta o custo político para quem integra o entorno do ex-presidente e reabre debate sobre controle de fronteiras e mecanismos preventivos quando há risco de evasão. Para a investigação, a prioridade passa a ser apurar fatos concretos — movimentações, registros e comunicações — e estabelecer se houve tentativa efetiva de saída do país ou se as alegações permanecem no campo das especulações.