O deputado federal Carlos Jordy apresentou à Justiça ação contra a campanha do governo que divulga a proposta de alteração da jornada de trabalho conhecida como "fim da escala 6x1". Na petição, a defesa sustenta que a divulgação do tema foi intensificada por meio de pronunciamentos do presidente nos dias que antecederam o Dia Internacional da Mulher e o Dia do Trabalhador, além de publicidades patrocinadas em redes sociais.
O documento aponta, como elemento central, um suposto investimento mínimo de R$ 1,5 milhão em anúncios impulsionados destinados a promover conteúdos favoráveis à medida. Segundo a peça, esses impulsionamentos concentraram-se no período em que o tema tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e teriam sido direcionados a públicos específicos — circunstância que, na leitura do autor da ação, caracterizaria finalidade político-eleitoral.
Entre os pedidos, Jordy requer a suspensão imediata das campanhas publicitárias patrocinadas sobre a proposta até deliberação definitiva do Congresso ou julgamento do mérito da ação. A petição também pleiteia a apuração dos gastos com produção de materiais e com os pronunciamentos institucionais citados, apontando necessidade de transparência sobre eventuais despesas públicas vinculadas à divulgação.
A iniciativa abre um novo foco de tensão política: caso a Justiça acolha as alegações, a medida pode reforçar críticas sobre o uso da máquina pública em temas submetidos ao Congresso, elevando o custo político para o governo e abrindo espaço para contestações na esfera eleitoral. Por outro lado, o processo ainda depende de instrução probatória para confirmar os impulsionamentos e a vinculação entre ações institucionais e promoção da proposta.
O episódio evidencia, na prática, o choque entre comunicação oficial e limites legais em vésperas de votações sensíveis. Resta ao Judiciário avaliar se houve promoção institucional indevida e, eventualmente, determinar encargos sobre a publicidade e os responsáveis pelos gastos apontados na ação.