O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira que é "completamente contrário" a qualquer socorro do governo federal ao Banco de Brasília (BRB). A declaração, dada em café da manhã com jornalistas em Brasília, veio no momento em que a Polícia Federal aprofunda apurações sobre operações financeiras que teriam beneficiado o Banco Master.
Guimarães destacou que a investigação da PF deverá apontar, ao final, os responsáveis pelos desvios envolvendo bilhões de reais. Entre os alvos da apuração estão o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero. O ministro disse seguir a orientação do presidente para que os fatos sejam apurados "doa a quem doer".
Além de descartar o socorro, o ministro criticou a movimentação de parlamentares na última janela partidária, classificando-a como um acinte contra a vida partidária. No plano político, a posição pública de um ministro do governo acende alerta sobre o custo político de eventual ajuda ao banco e tende a complicar a capacidade do Palácio do Planalto de acomodar pressões locais sem perder capital político.
Questionado sobre pesquisas eleitorais que mostram crescimento de adversários do governo, Guimarães relativizou os números e afirmou que é cedo para avaliação, apontando que campanhas ainda estão em formação. A fala mistura prudência e aposta em desgaste futuro do opositor, mas o posicionamento firme sobre o BRB já sinaliza um esforço do Executivo para se distanciar de medidas que possam gerar cobrança pública e impactos financeiros ao erário.