Várias entidades representativas do sistema de Justiça brasileiro publicaram, nesta terça-feira (28/7), notas oficiais de repúdio às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, que tiveram como alvo principal o ministro Alexandre de Moraes e, de modo mais amplo, o Supremo Tribunal Federal. Assinaturas importantes — entre elas a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) e a Anamatra — se uniram ao posicionamento em defesa da Corte e da independência dos poderes.

As notas ressaltam que os ataques proferidos por Milei, incluindo cobranças feitas em solo brasileiro durante a convenção nacional do PL no sábado (25), ultrapassaram os limites da crítica política e passaram a ferir magistrados no exercício de suas funções. A APMP lembrou o vínculo institucional do ministro Alexandre de Moraes com o Ministério Público paulista (1991–2002). A AMB também expressou preocupação com tentativas de desqualificação da Justiça Eleitoral e do Tribunal Superior Eleitoral, órgãos centrais para a segurança das eleições.

Organizações como a Atricon classificaram como inadmissível que um chefe de Estado estrangeiro utilize o debate público para constranger instituições de outro país. A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas) reforçou o princípio da soberania: a vida política e eleitoral do Brasil deve ser decidida pelos cidadãos brasileiros, sem interferências externas que violem a não intervenção em assuntos internos.

O movimento de repúdio agrava o cotejo institucional provocado pelas declarações e coloca em foco o custo político de banalizar confrontos públicos com o Judiciário. Além do impacto diplomático, as notas alertam para um efeito interno: a erosão do respeito às instituições e a necessidade de que críticas a decisões judiciais sigam os canais legais e formais, não o insulto ou a exposição pessoal de magistrados.