O Sindicato dos Magistrados do Brasil (Sindmagis) marcou para 5 de setembro uma Assembleia Geral Extraordinária por videoconferência com objetivo declarado de impor uma "pauta ética" à cúpula do Supremo Tribunal Federal. A mobilização é resposta ao desgaste provocado pelos cortes em benefícios da categoria e busca transformar a insatisfação interna em pressão política e legislativa.
No centro das propostas está a PEC que prevê mandato de dez anos para ministros do STF, além da criação de um Código de Ética que submeta a Corte às mesmas obrigações e restrições aplicadas aos demais magistrados. O sindicato, presidido pela juíza Cyntia Cordeiro Santos, defende também a submissão dos ministros à fiscalização da Corregedoria Nacional de Justiça e a proibição de participação em eventos patrocinados por grupos econômicos, sujeitando a infração à perda do cargo.
Os documentos citam práticas que, segundo a categoria, representam erosão institucional — entre elas, decisões sem observância de quórum de maioria absoluta e o desrespeito à Cláusula de Reserva de Plenário. A iniciativa tende a acender um debate duro sobre independência versus accountability: enquanto os magistrados responsabilizam parte da Corte por enfraquecer normas processuais, a proposta de limitar mandatos e ampliar fiscalização passa pelo crivo político do Congresso e enfrenta obstáculos jurídicos e resistência interna.
Além do eixo ético, a pauta inclui a recomposição salarial, que os magistrados apontam como defasagem superior a 60% por perdas inflacionárias, e argumentos sobre um "falso paradoxo fiscal" diante do crescimento da arrecadação. A assembleia marca um movimento claro de pressão institucional que pode deslocar o debate público sobre o Judiciário, forçar posicionamentos de ministros e deputados, e alterar o ambiente político em torno da Corte.