A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) usou as redes sociais para transformar trechos do jogo entre Brasil e Japão em referência política. Na postagem, ela vinculou o lance do camisa 13 — responsável por um erro que resultou no gol japonês — a uma referência ao PT, e associou o gol da virada, marcado pelo camisa 22, ao bolsonarismo.

O jogo terminou 2 a 1 a favor do Brasil: Kaishu Sano abriu o placar aproveitando falha na construção de jogada, Casemiro empatou ainda no segundo tempo e Gabriel Martinelli fez o gol da vitória nos acréscimos. A parlamentar interpretou, publicamente, números das camisas como símbolos eleitorais, promovendo leitura política de um evento esportivo.

A iniciativa segue uma tática recorrente de apropriação simbólica por parte de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro: transformar sinais do cotidiano — aqui, um jogo da seleção — em narrativa política para reforçar identidade de base. Esse tipo de mensagem tende a reforçar polarização e a domesticar momentos de grande apelo público ao discurso partidário.

Do ponto de vista eleitoral, a menção explícita a camisas e números é um gesto com leitura clara para 2026: sinaliza tentativa de capitalizar ganhos de visibilidade e de manter mobilizada a militância. Ao mesmo tempo, expõe a disputa sobre os limites entre esporte e política, tema que costuma provocar atrito entre eleitores que preferem manter a esfera esportiva afastada da campanha.