O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse em entrevista que as altas taxas de juros são um dos principais motores do endividamento das famílias brasileiras e que a educação financeira, por si só, não dará conta do problema. Na avaliação do ministro, quando a taxa cobrada ao consumidor permanece em patamares elevados — citou referência a algo próximo de 15% ao ano — a capacidade das famílias de escapar do ciclo de dívidas fica seriamente comprometida.

Boulos afirmou que o quadro exige mais do que campanhas informativas: sem redução significativa dos juros, será preciso ampliar e repetir programas de renegociação, como o Desenrola Brasil. Segundo o ministro, o programa tem oferecido descontos médios da ordem de 65% nas renegociações e registrou cerca de R$ 1 bilhão negociados em apenas uma semana — ganhos pontuais que aliviam, mas não atacam a raiz do problema. Ele também comparou indicadores com o exterior, lembrando que linhas de crédito semelhantes têm inadimplência e taxas muito menores em países como a Espanha, e questionou a justificativa para tarifas de juros muito superiores no Brasil.

Além do impacto direto dos juros, Boulos associou o crescimento das apostas online à piora do endividamento. Alertou para o uso dessas plataformas como vetor de perdas familiares e, segundo ele, como instrumento para finalidades ilícitas, inclusive lavagem de dinheiro, com respaldo em operações da Polícia Federal. O ministro criticou ainda a carga tributária reduzida aplicada a esses sites — citou que empresas do setor recolhem alíquota baixa em comparação a profissionais que pagam Imposto de Renda mais elevado — e apontou influência de lobby no Congresso para manter esse tratamento.

A fala do ministro joga um sinal de alerta sobre custos econômicos e políticos. Do ponto de vista fiscal e social, juros persistentemente altos corroem renda disponível, elevam inadimplência e aumentam a necessidade de intervenções paliativas, com custo político para o governo que terá de justificar medidas e resultados. No plano institucional, as críticas expõem tensão entre Executivo, setor financeiro e Legislativo — sobretudo em torno da tributação e regulação das bets — e ampliam a pressão por respostas que não se limitem a programas temporários, mas que enfrentem as causas da alta do custo de crédito.