A Corte de Apelação de Roma remarcou para 24 de novembro a audiência que pode decidir sobre a extradição da ex‑deputada Carla Zambelli ao Brasil. A juíza Cristina Capranica — presidente da Primeira Seção Penal — acolheu o pedido da defesa, que afirmou não ter tido acesso prévio aos documentos enviados pelas autoridades brasileiras sobre as condições de encarceramento e atendimento médico na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia.
O processo se origina da condenação por perseguição a um jornalista com arma, ocorrida na véspera do segundo turno de 2022. Em julho, a Corte de Cassação italiana anulou autorização anterior de extradição e determinou esclarecimentos sobre a saúde da ex‑parlamentar, transferindo ao pedido brasileiro a obrigação de detalhar as garantias de assistência médica no sistema prisional onde Zambelli cumpriria a pena.
Os advogados — entre eles o brasileiro Eduardo Maurício e os italianos Pieremilio e Alessandro Sammarco — disseram ter recebido a documentação das autoridades brasileiras apenas formalmente e não em tempo hábil para exame antes da sessão. A defesa sustentou ainda que a transferência poderia colocar a vida da ex‑deputada em risco e citou condenações internacionais relacionadas às condições carcerárias como elemento a ser considerado.
O adiamento amplia a incerteza jurídica e política: além de postergar uma decisão que tem potencial repercussão diplomática, reforça a pressão sobre autoridades brasileiras para demonstrar, com dados e práticas, que o sistema prisional oferece garantias compatíveis com normas internacionais. Mesmo com eventual sentença favorável ao pedido de extradição, a disputa poderia continuar em instâncias superiores.