A Corte de Apelação de Roma começa a julgar nesta quarta-feira (1º/7) o novo pedido apresentado pelo governo brasileiro para extradir a ex-deputada Carla Zambelli. A solicitação enviada em junho pela Advocacia-Geral da União traz a condenação do Supremo Tribunal Federal, que impôs a Zambelli pena de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma e constrangimento.
O episódio que motivou a sentença ocorreu às vésperas do segundo turno de 2022, quando Zambelli perseguiu um homem em São Paulo portando um revólver, segundo a acusação. Depois de passar quase um ano presa na penitenciária feminina de Rebibbia, a ex-deputada ficou em liberdade desde maio, enquanto aguarda desdobramentos do cumprimento da pena e das demandas judiciais no exterior.
O caso chega a Roma após um primeiro revés para o pedido brasileiro: na investigação sobre a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, a Corte Suprema de Cassação já havia negado extradição e determinado soltura, ao considerar que o julgamento no Brasil não foi imparcial diante do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes como suposta vítima. Essa decisão italiana cria um precedente que pode influenciar a avaliação do tribunal romano sobre a validade processual da condenação do STF.
Além do destino pessoal de Zambelli, a audiência em Roma funciona como termômetro da cooperação jurídica entre Brasil e Itália e pode ter impacto político no país. Um acolhimento do pedido reforçaria a execução da pena no exterior; uma nova negativa, por razões semelhantes às apontadas pela Cassação, ampliaria questionamentos sobre imparcialidade e complica a narrativa oficial sobre responsabilização de agentes públicos. A decisão de Roma será acompanhada de perto por implicações legais e repercussão política.