Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado nesta segunda-feira (18/5) revela que a Justiça Militar da União (JMU) tem 32,6% das funções de chefia ocupadas por pessoas negras, índice superior à média de 25,5% observada no restante do Poder Judiciário. A instituição destacou os números como parte de um esforço de transparência sobre a composição racial de seu quadro.
Os dados mostram ainda que a participação de servidores negros na JMU atinge 38,3%, contra 28,4% no conjunto do Judiciário. Entre magistrados, 20,4% são negros (média nacional de 14,2%), enquanto o percentual de brancos na JMU é 59,5% entre servidores e 77,8% entre magistrados — patamares abaixo das médias nacionais citadas no estudo.
Outros pontos do levantamento apontam para maior adesão à autodeclaração na Justiça Militar: na categoria de força auxiliar, 55,9% são negros, e apenas 2,5% não declararam raça/cor — muito inferior aos 12,7% de não declaração no Judiciário em geral. Esses números podem facilitar políticas direcionadas, por reduzir a subestimação de grupos históricamente invisibilizados.
Como desdobramento dessa divulgação, o Superior Tribunal Militar anunciou que passará a exigir treinamento antidiscriminatório para todos os seus servidores. É um gesto institucional relevante, mas que dependerá de execução, cronograma e monitoramento para se converter em mudança efetiva. Os dados abrem espaço para que a JMU consolide imagem de maior inclusão, sem, contudo dispensar atenção às desigualdades ainda presentes nos quadros da magistratura.