O governo dos Estados Unidos emitiu intimações para operadoras de telefonia visando obter registros de chamadas e mensagens de jornalistas do New York Times e de alguns familiares, segundo petição do próprio jornal tornada pública por um juiz federal. As medidas fazem parte de uma investigação sobre como a redação foi informada sobre supostas preocupações de segurança relativas ao novo Air Force One, doado pelo Catar.
De acordo com o New York Times, as intimações alcançam repórteres, os cônjuges de dois profissionais e até a mãe de uma das jornalistas. Parte das solicitações abrange registros retroativos ao início do ano — anterior às reportagens publicadas em julho — o que, na avaliação do jornal, indica um escopo muito além de apurar somente os fatos citados nas matérias.
O jornal pediu judicialmente a anulação das intimações e afirmou que o Departamento de Justiça descumpriu suas próprias diretrizes ao notificar a redação apenas dias depois da emissão das ordens. A Justiça federal suspendeu temporariamente as intimações até decisão sobre a petição. O caso vinha acompanhado de outra etapa: repórteres foram intimados a depor perante um grande júri em julho.
A ofensiva do governo, com investigação conduzida a pedido da Casa Branca e atribuída ao diretor do FBI mencionado no processo, acende alerta sobre liberdade de imprensa e complica a narrativa oficial. Mesmo sem configurar, por si só, crime, a tentativa de rastrear fontes e familiares representa risco institucional e político: expõe tensão entre segurança e proteção das fontes, e pode gerar nova onda de litígios e desgaste para o Executivo.