O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, anunciou a renúncia à defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em declaração pública na qual atribuiu a decisão a um “comum acordo” entre as partes. A troca ocorre após operação de busca e apreensão da Polícia Federal na semana passada ligada ao inquérito sobre o chamado Caso Master. Kakay reiterou que não houve desgaste com o cliente e ressaltou o dever de sigilo profissional como motivo para não detalhar a mudança.
O substituto é o criminalista Conrado Gontijo, descrito na comunicação oficial como afilhado de Kakay e integrante do grupo de advogados que vinha atuando no caso. Gontijo tem formação pela USP, integra a banca Prerrogativas e leciona no IDP, instituição mencionada no material-base por sua ligação com o ministro Gilmar Mendes. A escolha reforça continuidade técnica, mas também mantém o processo dentro do mesmo círculo de defesa.
A Polícia Federal encaminhou relatório ao Supremo Tribunal Federal no qual aponta indícios de que o senador teria usado o mandato para favorecer interesses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em troca de vantagem indevida. Entre os elementos citados estão pagamentos periódicos, despesas de viagem e hospedagem, uso de imóveis de alto padrão e a menção a uma suposta mesada de R$ 300 mil. Nogueira nega irregularidades e qualificou a ação como perseguição política, citando episódio semelhante em 2018.
A substituição de defesa em meio ao avanço das apurações tem efeito político imediato: mesmo qualificada como consensual, aumenta a pressão sobre o senador e sobre o comando do PP, ao alimentar questionamentos sobre exposição e estratégia jurídica. A invocação do sigilo profissional por Kakay reduz a explicação pública, mas não altera o peso das evidências que a PF afirma ter reunido. Num cenário em que o relatório já foi enviado ao STF, o caso tende a ganhar nova fase de escrutínio, com reflexos tanto na esfera judicial quanto no tabuleiro político.