O criminalista Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, emitiu nota pública nesta segunda-feira em que afirma não poder detalhar os motivos da renúncia do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay à defesa do senador Ciro Nogueira. Segundo o comunicado, a decisão não será explicada por uma questão ética e pelo dever de sigilo que rege a relação entre advogado e cliente.

A nota é assinada por Kakay e pelos advogados Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França. Mais cedo, em entrevista, Kakay já havia negado ruptura e disse que a saída foi consensual, sem ligação com o avanço das investigações da Polícia Federal envolvendo o senador.

O caso tramita no Supremo após operação da PF que apontou suspeitas sobre supostos benefícios do banqueiro Daniel Vorcaro ao parlamentar — indícios citam pagamentos, viagens e outras vantagens. A decisão do escritório de defesa, mesmo comunicada sob sigilo, tende a levantar dúvidas e acende alerta político: a saída expõe fragilidades na estratégia jurídica e alimenta especulação pública sobre o contorno do processo.

Do ponto de vista político e institucional, a falta de esclarecimentos imediatos amplia desgaste e complica a narrativa do senador junto a aliados e à opinião pública. Caberá agora à nova equipe ou ao próprio parlamentar reagrupar a defesa e tentar restringir o impacto jurídico e político da mudança, enquanto o caso segue sob os holofotes em Brasília.