O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, reagiu nesta quinta-feira (7/5) aos mandados de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), autorizados no âmbito da Operação Compliance Zero. Em entrevista, o advogado disse ter recebido com “perplexidade” a decisão de fls. e criticou a alegada utilização de informações extraídas do celular de terceiros como um dos fundamentos para a medida.

Kakay afirmou que a defesa só teve acesso à decisão do ministro André Mendonça e ainda desconhece o teor completo dos autos, anunciando que pedirá acesso integral à investigação conduzida pela Polícia Federal. Para o advogado, a prática lembra métodos debatidos em operações passadas e, segundo ele, confronta precedentes do STF que exigem corroboração externa antes da adoção de medidas invasivas.

Apesar das críticas ao roteiro da operação, Kakay registrou que a ação transcorreu de forma “respeitosa e tranquila” e relativizou as apreensões realizadas — entre elas veículos e celulares — afirmando não haver preocupação imediata da defesa quanto ao material recolhido. Sobre suspeitas de repasses a empresas ligadas à família do senador, o defensor negou irregularidades e ressaltou que as companhias são antigas e desenvolvem atividade legítima.

No plano político e institucional, a queixa sobre a base probatória utilizada e o pedido de acesso aos autos representam um sinal de alerta: se confirmadas fragilidades na fundamentação das buscas, a operação pode enfrentar questionamentos legais e desgaste político, enquanto a investigação avança e o processo de esclarecimento das provas será decisivo para a evolução do caso.