O criminalista Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, afirmou ao Correio que sua saída da defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) deu-se por mútuo acordo e sem qualquer desentendimento entre as partes. O comunicado ocorreu horas depois de o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay informar oficialmente que deixaria de representar o parlamentar no inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
A mudança na defesa acontece em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre a relação entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Relatório encaminhado ao STF cita, segundo os investigadores, indícios de pagamento de mesada de R$ 500 mil e benefícios envolvendo viagens, hospedagens e uso de imóveis de alto padrão. Na semana passada, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.
Embora Kakay rejeite qualquer interpretação de ruptura motivada pelo conteúdo das apurações, a saída pública de uma banca de peso tem efeito político e jurídico imediato: complica a narrativa de controle do episódio e levanta perguntas sobre a continuidade da estratégia de defesa. A substituição da liderança técnica do caso pode atrasar respostas ao STF e dar munição aos adversários políticos, que já exploram o episódio em debate público.
Além de Kakay, integravam a equipe os advogados Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França. Até o momento, não foi informado quem assumirá a condução principal da defesa. O desfecho dessa troca será observado de perto, tanto pela leitura política em Brasília quanto pelas consequências processuais diante do avanço das diligências.