Durante evento em São Paulo com empresários do setor agroindustrial e aliados, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que os partidos tradicionalmente classificados como Centrão não estão neutros na disputa presidencial e, na sua avaliação, se alinharam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração intensifica o debate sobre a fragmentação da oposição e sobre as estratégias que podem beneficiar o petismo em 2026.
Kassab também reprovou a possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), dizendo que sua probabilidade de se eleger seria, na prática, nula, e argumentou que o desgaste deve se acelerar com o início formal da campanha. Em postagem nas redes sociais, o dirigente do PSD reforçou que pesquisas de intenção de voto e índices de rejeição não favorecem Flávio, e que o PT teria pouco interesse em confrontá‑lo publicamente, por considerá‑lo um adversário mais fácil no segundo turno.
A posição do presidente do PSD provocou pronta reação da cúpula do PL. O senador Rogério Marinho, coordenador‑geral da campanha de Flávio, criticou Kassab, ressaltou a participação de ministros do PSD no governo federal e acusou a legenda de atuar como uma linha auxiliar do petismo. Marinho também minimizou a candidatura de Ronaldo Caiado, ataquando a naturalidade do movimento político que, segundo ele, teria se unido em resposta ao avanço de Flávio.
Beyond the clash of statements, o episódio tem efeitos palpáveis. Para o PSD, a decisão de não lançar nomes próprios no bloco amplificou o tempo de propaganda de Caiado — segundo Kassab, de cerca de 50 segundos para mais de dois minutos — o que pode ajudar a consolidar uma alternativa moderada. Para a oposição como um todo, porém, as trocas públicas expõem fissuras que beneficiam a narrativa governista, acendem alertas sobre coesão e ampliam o custo político de uma frente unida. Resta ver se essas disputas internas se traduzirão em realocação de apoios durante a campanha oficial, quando, como aposta Kassab, o embate de narrativa tende a se intensificar.