O presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou em evento em Higienópolis, São Paulo, que, na sua avaliação, os partidos do Centrão não permanecem neutros na corrida presidencial e tendem a se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mesma ocasião, disse ter pouca expectativa de que o senador Flávio Bolsonaro consiga vencer a disputa pelo Palácio do Planalto.

Kassab acompanhou a declaração durante encontro com mais de 200 empresários e aliados dos setores de agropecuária, indústria e mineração, organizado por Andrea Matarazzo. Segundo ele, Flávio Bolsonaro ainda conta com proteção política hoje, mas pode perder força à medida que a campanha avançar e o eleitorado for confrontado com o perfil do candidato, na avaliação do dirigente do PSD.

O dirigente também destacou um efeito prático das decisões do Centrão: ao abrir mão de candidaturas próprias, partidos do bloco teriam ampliado o tempo de propaganda do PSD. Kassab citou que o horário eleitoral do candidato Caiado subiu de cerca de 50 segundos para pouco mais de dois minutos e vinte segundos, o que, na sua leitura, representa uma vantagem relevante para disputar visibilidade no início da campanha.

A avaliação de Kassab tem implicações políticas. Se confirmada a tendência de alinhamento do Centrão com forças governistas, a capacidade de atração de votos para o campo ligado ao presidente Jair Bolsonaro ficará mais limitada — e a candidatura de Flávio Bolsonaro perderá espaço estratégico. Para Caiado e o PSD, a janela de exposição maior é uma oportunidade, mas também um teste de capacidade de converter tempo de rádio e TV em estrutura partidária e votos reais.

No curto prazo, a disputa tende a depender de como serão formalizadas as costuras entre legendas e de como o eleitor reagirá às peças de campanha. É preciso acompanhar se a avaliação pública de Kassab se confirma nos atos e declarações dos líderes do Centrão e qual será a resposta do PL e da candidatura de Flávio Bolsonaro a essa leitura, que, por ora, é um diagnóstico político do presidente do PSD, não um veredicto definitivo.