O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, autorizou em 14/10 a retomada imediata do canal 'Exército do Lula' no WhatsApp, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). A decisão antecipou a volta integral do grupo, que reúne mais de 4,3 milhões de inscritos, antes do prazo de 48 horas que havia sido inicialmente determinado pelo magistrado.

Na véspera, Kassio havia suspendido o canal e condicionado o retorno à comunicação formal da página à Justiça Eleitoral. Após a regularização, autorizou a retomada, mas fixou um intervalo de 48 horas. A aceleração ocorreu depois que a campanha do PT pediu aplicação idêntica ao canal ligado ao senador Flávio Bolsonaro, o chamado 'Tropa do Flávio', e, segundo a Folha de S.Paulo, a própria campanha de Flávio também se manifestou a favor da liberação imediata do canal de Janones. O grupo associado a Flávio permaneceu em funcionamento durante a suspensão do PT.

O desfecho coloca o TSE diante de um dilema de aplicação: a intervenção e a volta antecipada, motivadas por pedidos cruzados, expõem contradições na forma como a corte tem lidado com conteúdos políticos em plataformas privadas. A diferença de tratamento percebida — um canal suspenso enquanto outro seguiu ativo — complica a narrativa de uniformidade que o tribunal busca sustentar e pode alimentar questionamentos sobre imparcialidade e critérios processuais.

Além do efeito imediato sobre as campanhas, a medida tende a repercutir nas discussões sobre regulação de comunicação política em apps de mensagens e na expectativa de agentes partidários por decisões claras e isonômicas. A pressão por padronização das regras e por transparência procedimental deve aumentar, especialmente em ambiente pré-eleitoral, onde cada gesto do TSE é interpretado politicamente e pode resultar em recursos e novas contestações.