A cerimônia de posse de Kássio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, teve um momento que fugiu do protocolo técnico: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecia desconfortável ao sentar ao lado do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. Enquanto Alcolumbre sorriu e acenou a convidados, Lula manteve expressão contida, gesto que chamou atenção de auxiliares e jornalistas no plenário.
O contraste não é apenas fotográfico. No mês anterior, Alcolumbre liderou a articulação que resultou na rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, uma derrota histórica para o governo que deixou marcas imediatas nas relações entre Executivo e Senado. A presença de presidentes de cortes e do Procurador-Geral no evento reforçou o caráter institucional da solenidade, mas a cena entre Lula e Alcolumbre simbolizou o ruído político que persiste.
No discurso de posse, Nunes Marques invocou a centralidade da Constituição e a soberania popular, além de alertar para riscos da inteligência artificial sobre o processo eleitoral. A ênfase em garantias democráticas e integridade tecnológica chega em momento delicado: a nova presidência do TSE assumirá funções sensíveis em um ambiente político marcado por desconfianças e disputas entre poderes.
O episódio acende um sinal para o governo: a normalidade institucional é possível, mas não automática. A derrota no Senado expõe custo político e pressiona o Planalto a recompor canais com líderes do Congresso se quiser avançar agenda e indicações. Para além da pose no plenário, a cena evidencia que a convivência entre Executivo, Legislativo e Judiciário segue condicionada por fricções que podem influenciar decisões futuras.