Dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, se declararam suspeitos para participar de um julgamento que pode autorizar investigação contra o colega Alexandre de Moraes. As recusas ocorrem na esteira de revelações sobre mensagens ligadas ao filho de um dos envolvidos e menções à participação de magistrados em negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Toffoli já havia sido o primeiro relator de processos ligados ao chamado caso Banco Master antes de a relatoria passar para outro ministro. Ele deixou formalmente a relatoria em fevereiro, depois que apurações da Polícia Federal trouxeram elementos sobre sua relação com o banco, e desde então vinha se afastando de decisões da Segunda Turma sobre prisões e medidas cautelares envolvendo investigados como Vorcaro, familiares do ex-banqueiro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

Kassio explicou que não se sentia confortável em julgar o tema diante do risco de interferência no processo eleitoral de 2026, alegando que sua missão no Tribunal Superior Eleitoral exige equidistância; por isso, declarou impedimento e retirou-se da sessão. Toffoli, embora também tenha sinalizado suspeição, optou por permanecer no plenário. As manifestações dos ministros alteram a composição do julgamento e obrigam a Corte a buscar alternativa para seguir com a análise.

A sequência de recusas acende alerta sobre a capacidade do STF de conduzir temas sensíveis sem ruído institucional. Além de adiar a definição sobre eventual investigação contra Moraes, o episódio amplia desgaste político e levanta novas questões sobre vínculos entre magistrados e atores investigados. A Corte terá de equilibrar transparência e celeridade para preservar a legitimidade do processo, num momento em que mensagens e contatos extrapolam o foro estritamente jurídico e entram na órbita política.