O embate entre Kim Kataguiri (Missão-SP) e Eduardo Bolsonaro ganhou tom público nesta quinta-feira (30/7) depois que o filho do ex-presidente afirmou que, ao voltar ao Brasil, teria vontade de “pegar de porrada” integrantes do MBL e outros críticos. Em entrevista ao canal Mathias TV, Kim rebateu com ataques pessoais, classificando o ex-deputado como patético, frouxo e covarde, e chegando a dizer que Eduardo sequer poderia pisar no Brasil.
A desavença tem origem numa declaração de Kim ao podcast Inteligência Ltda., em 23 de julho, quando afirmou que um vídeo comprometedor envolvendo o senador Flávio Bolsonaro seria divulgado em breve. Kim não apresentou provas nem explicou a procedência do rumor, e a referência provocou reação imediata de Eduardo, que comentou o caso durante a inauguração da TLTV Timeline, canal norte-americano ligado ao grupo bolsonarista.
Na réplica, além de atacar a credibilidade de Eduardo, Kim criticou a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos e afirmou que ele deixou o país após uma representação de Lindbergh Farias que pedia sua prisão — representação que, segundo o deputado, não teve apoio do Ministério Público. Kim também questionou a versão de Eduardo sobre a obtenção do green card na categoria EB-1A, sugerindo favorecimento político.
O episódio tem impacto político concreto: escancara fissuras no núcleo bolsonarista e alimenta narrativas de desunião entre aliados. Ao transformar desentendimentos internos em confrontos públicos, a disputa oferece munição a adversários e complica a tentativa de manter uma frente coesa. Para além do personalismo, a troca revela custo reputacional e risco de desgaste eleitoral caso a pauta de conflitos se sobreponha a propostas políticas.