As convenções partidárias que começam nesta semana marcam a largada formal da campanha para as eleições de outubro: pré-candidatos deixam de ser nomes em trânsito e passam a disputar com candidaturas registradas. A movimentação ganhou antecipação nas redes sociais logo após a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo, mas é agora, com a agenda oficial, que o embate se desloca para palanques, comícios e propaganda a partir de 16 de agosto.
No plano presidencial, o duelo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra a atenção. Levantamento da Genial/Quaest divulgado recentemente mostra Lula à frente, com 45% das intenções de voto, e Flávio com 37%, deixando os demais candidatos em um segundo pelotão numérico. Os números confirmam um cenário bipolarizado: embora nomes como Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema apareçam em pesquisas, seu peso atual é marginal — potencialmente relevante apenas em um eventual segundo turno.
As datas já confirmadas ajudam a compor o ritmo da disputa: o PL programou sua convenção para 25 de julho em São Paulo; o PSD deve oficializar Ronaldo Caiado em 26 de julho; o Novo marcou sua convenção para 27 de julho, em Brasília; o Missão se reúne em 1º de agosto e o PT prevê sua convenção para 2 de agosto. Após esses encontros, partidos e coligações têm até 15 de agosto para registrar os candidatos na Justiça Eleitoral. Especialistas lembram, porém, que chapas e nomes podem ser ajustados no período previsto pela legislação, o que mantém espaço para negociações finais.
Do ponto de vista político e estratégico, as convenções funcionarão como termômetro de capacidade de mobilização, coesão de alianças e força de arrecadação. Para o governo, manter a vantagem das pesquisas depende de transformar vantagem aparente em presença competitiva nos estados; para a oposição, consolidar apoios e ampliar palanques regionais é vital para ameaçar a frente governista. Com prazos apertados e a propaganda liberada a partir de 16 de agosto, o calendário empurra decisões que podem redefinir trajetórias e expor fragilidades das candidaturas ao longo das próximas semanas.