A senadora Leila Barros (PDT-DF) relacionou a desistência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) da corrida ao Senado ao desgaste político provocado pelo caso envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Para Leila, a decisão não pode ser explicada apenas como desejo de afastamento da vida pública ou cansaço pessoal.

Ibaneis anunciou que pretende dedicar mais tempo à família e que encerrou seu ciclo político, mas a retirada ocorre em meio às diligências sobre a negociação iniciada durante sua gestão no Palácio do Buriti. Embora não figure como alvo de medidas cautelares ou indiciamento até o momento, o ex-governador aparece no foco das apurações por ter comandado o Executivo no período em que a operação foi tratada.

Documentos e depoimentos citados pela investigação apontam que o controlador do Master confirmou conversas institucionais com Ibaneis, enquanto o ex-presidente do BRB, em busca de acordo de colaboração, relatou ter sofrido pressões para acelerar a transação. Esse contexto alimenta a percepção de desgaste e amplia o custo político da questão para o MDB e para aliados no Distrito Federal.

Além do impacto imediato na disputa ao Senado, a retirada do ex-governador reconfigura o tabuleiro eleitoral local e mantém sob tensão a administração regional — hoje sob o comando da vice-governadora Celina Leão (PP). O episódio reforça a necessidade de esclarecimentos públicos: sem transparência, o preço político do caso tende a crescer, com consequências para reputação e capital eleitoral das lideranças envolvidas.