A senadora Leila Barros (PDT-DF), conhecida publicamente como Leila do Vôlei, deverá assumir a relatoria da medida provisória que extinguiu a alíquota de 20% sobre importações até US$ 50 — a chamada “taxa das blusinhas”. Para que a tributação não volte a valer, a MP precisa ser aprovada pela comissão mista e pelos plenários da Câmara e do Senado até 8 de setembro.

A instalação do colegiado está marcada para esta sexta (28/8). O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) será o presidente da comissão e já sinalizou defesa pela manutenção do texto da MP, apontando um cenário “super positivo” para sua aprovação. Um acordo para votar a matéria na próxima semana foi costurado em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes da Câmara e do Senado, segundo relatos oficiais.

O caso tem grande apelo popular e tornou‑se prioritário para o governo: levantamento da Atlas/Bloomberg de março apontou que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro. Politicamente, a necessidade de aprovar a MP dentro do prazo impõe pressão sobre a base e obriga o Executivo a traduzir essa demanda em votos. Se a tramitação falhar, o retorno do imposto seria um revés imediato na narrativa de alívio ao consumidor.

Há também custo de coerência: a taxa foi criada em agosto de 2024 com o argumento de proteger a indústria nacional; agora, a reversão expõe o governo a críticas tanto do setor produtivo quanto dos eleitores que exigem medidas de curto prazo. A relatoria de Leila Barros será o fio condutor dessa negociação — seu relatório e o calendário de votação vão dizer se o acordo selado em Brasília se sustenta até o fim do prazo.