O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), formalizou nesta quinta-feira o diálogo com o pré-candidato presidencial do partido, Ronaldo Caiado, mas deixou claro que o apoio não será automático. Leite pediu desculpas por não ter saudado publicamente a indicação do correligionário e levou uma carta com exigências para uma aproximação. Apesar de ter sido preterido pelo PSD na disputa pelo Planalto, o gaúcho disse que está disposto a colaborar, desde que haja sinais concretos de alinhamento ao conjunto de princípios que enuncia.
Na carta, Leite traça um roteiro que pretende diferenciar uma candidatura de centro responsável de demais ofertas políticas: defesa inequívoca das instituições e da democracia; compromisso com responsabilidade fiscal e coragem para reformas estruturantes; políticas sociais que reduzam desigualdade e promovam inclusão; e governabilidade construída com integridade e diálogo. Ele ressalta a necessidade de gestos concretos — na composição de equipe, no tom do discurso e no método de fazer política — para que o engajamento de setores do partido se torne natural.
Um ponto de atrito explícito aparece na reprovação à proposta de anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, colocada por aliados como medida inicial de um eventual governo Caiado. Leite avalia que a medida não pacifica e pode romper o diálogo com parcelas importantes da sociedade. Em vez disso, defende correções por vias institucionais, como aperfeiçoamento da dosimetria das penas, debate que já tramita no Congresso. A divergência evidencia uma divisão interna sobre como conciliar apelo a eleitores insatisfeitos com a necessidade de preservar governabilidade e reputação democrática.
Politicamente, a posição de Leite acende alerta sobre a coesão do PSD e o desenho da alternativa ao duo polarizado do debate nacional. O gesto de condicionar apoio é ao mesmo tempo um trunfo e uma pressão: preserva a autonomia de Leite e força Caiado a demonstrar capacidade de moderar o projeto para atrair centristas. Para o pré-candidato, a resposta determinará não só a adesão de lideranças importantes, mas também a percepção de viabilidade eleitoral e de capacidade de governar sem rupturas institucionais.