O PRTB oficializou a pré-candidatura de seu presidente nacional, Leonardo Avalanche, à Presidência da República para 2026. Natural de Anápolis (GO) e com 37 anos, Avalanche surge como opção da sigla numa disputa que terá também nomes como Ronaldo Caiado (PSD). A escolha reafirma a tentativa do partido de se posicionar como alternativa conservadora e "antissistema", segundo sua comunicação, depois de um período em que a legenda chegou a apostar no empresário Pablo Marçal, hoje no União Brasil.

Desde que assumiu a presidência nacional do PRTB em 2024, Avalanche impulsionou uma presença digital mais intensa para a sigla e foi apontado como peça-chave na articulação de campanhas internas, como a de Marçal a prefeito de São Paulo naquele ano. O dirigente apresenta-se como gestor que conhece a máquina partidária e diz pretender recuperar a confiança do eleitor por meio de uma gestão técnica e ética, elementos centrais do discurso com que o partido busca se diferenciar no espectro conservador.

A trajetória pública de Avalanche, porém, tem sido marcada por episódios controversos. Durante a campanha municipal de 2024 vieram a público áudios em que ele admitiria ter influência em uma soltura ligada a André do Rap e comentaria supostas ligações do próprio motorista com o PCC; o material levou a tensões internas e a um pedido de afastamento na época. Avalanche negou reconhecer a autenticidade das gravações e chegou a apontar o uso potencial de ferramentas de inteligência artificial. Mais recentemente, o Ministério Público de São Paulo denunciou o dirigente e outras seis pessoas por suposta fraude na eleição interna do partido, com documentos supostamente falsificados; a mesma denúncia inclui acusações de assédio, ameaças e violência política de gênero contra a então vice-presidente Rachel Carvalho. A defesa rejeita as acusações e afirma que os atos seguiram a legislação.

Do ponto de vista político, a carta do PRTB coloca em evidência um dilema: a tentativa de ocupar espaço no campo conservador esbarra num conjunto de controvérsias que podem minar credibilidade e capacidade de atração de aliados. A concorrência com figuras estabelecidas e a lembrança pública das denúncias internas elevam o risco de dispersão de eleitores e de desgaste institucional, justamente quando o partido insiste em se apresentar como alternativa "limpa". Resta observar se Avalanche conseguirá transformar a visibilidade digital e a juventude política em recursos efetivos, ou se as disputas judiciais e as disputas internas limitarão a ambição presidencial da legenda.