O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) reagiu nesta terça-feira à ida do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma audiência do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em Washington. Em postagem nas redes, Lindbergh afirmou que a participação teve motivação eleitoral e não defesa do interesse nacional, acusando o pré-candidato de tentar apagar vestígios de posturas anteriores.
Na avaliação do parlamentar, o documento apresentado por Flávio transforma argumentos a favor do Pix em justificativa para uma agenda que beneficiaria grandes bandeiras de cartão e outros interesses estrangeiros. Segundo Lindbergh, o texto sugere travar a internacionalização do Pix, projetar alternativas como Zelle e FedNow e abrir espaço para medidas que favoreçam empresas americanas.
Lindbergh também apontou omissões do senador sobre relações com o setor financeiro, citando menções a Vorcaro, ao Banco Master e apontamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse. O deputado vinculou essas referências às críticas que tem feito e classificou o episódio como alinhado a interesses externos e privados.
No evento do USTR, Flávio Bolsonaro pediu às autoridades americanas que evitem impor tarifas ao Brasil e defendeu negociações. Em sua exposição, o senador afirmou que o Pix ampliou inclusão financeira e que a adoção do sistema não entra em conflito com o crescimento das transações por cartões emitidos por empresas americanas, que, segundo ele, atuam de forma complementar.
Politicamente, o embate acende alerta e complica a narrativa do pré-candidato: acusações sobre alinhamento com interesses norte-americanos e vínculos com o setor financeiro podem exigir explicações públicas, ao mesmo tempo em que alimentam a oposição. A troca de acusações reforça a necessidade de clarificação sobre posições econômicas e financiamento na corrida para 2026.