A poucos dias da sessão conjunta do Congresso marcada para 30 de abril, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, intensificou as críticas à movimentação parlamentar que busca derrubar o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria. Em publicações nas redes, o deputado classificou a articulação como um acordo político de alto custo e apontou impactos que vão além do caso concreto dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Segundo Lindbergh, a proposta em análise facilitaria a progressão de regime para condenados por crimes hediondos: ele afirmou que o percentual mínimo exigido para réus primários cairia — na sua leitura — de 70% para 40%, e que, em crimes hediondos com morte, o patamar reduziria de 75% para 50%. O parlamentar alertou que, se aprovada, a norma beneficiaria grupos como traficantes, milicianos e autores de feminicídio, com efeito direto sobre a percepção de segurança pública.

O deputado também responsabilizou políticos de oposição, citando nominalmente Flávio Bolsonaro, por costurar um pacto que, em sua avaliação, buscaria trocar apoio para derrubar o veto por concessões em outras frentes, como o arquivamento da CPI do Master. Importante registrar que as acusações de barganha não foram acompanhadas, no material divulgado por Lindbergh, de provas documentais: tratam‑se de denúncias políticas que inflamam o debate parlamentar.

Do ponto de vista político, a tentativa de derrubar o veto acende alerta para o governo e complica a narrativa oficial sobre a agenda penal. A convocação com pauta única concentra o embate e amplia desgaste para aliados e adversários, obrigando cada bancada a se posicionar claramente. Resta acompanhar como o Congresso equilibrará pressão institucional, custo político e consequências práticas sobre o sistema penal nas próximas votações.