O vice-líder do governo no Congresso, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), negou nesta terça-feira qualquer participação em uma suposta articulação para fabricar uma denúncia de estupro de vulnerável contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. A manifestação ocorre depois que a Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um depoimento no qual um comerciante afirma ter sido procurado para participar de uma encenação relacionada ao caso.
Em publicações nas redes sociais, Lindbergh qualificou as alegações como “fake news” e afirmou que integrantes do bolsonarismo tentam associá‑lo à fabricação da denúncia. O deputado repetiu que a acusação de ter pago um comerciante para produzir uma versão falsa é “absurda” e atribuiu o relato à ação de uma pessoa que, segundo ele, o persegue há anos. Lindbergh disse, ainda, que seguirá atuando politicamente “contra a extrema direita, com fatos, provas e a verdade”.
O episódio tem origem em denúncia apresentada por Lindbergh e pela senadora Soraya Thronicke (PSB‑MS), em 27 de março, que relatou um suposto estupro de vulnerável envolvendo Gaspar e a gravidez de uma adolescente. Posteriormente surgiu o depoimento do comerciante Luis Antonio Lopes, de 62 anos, dono de um quiosque no Rio, que afirmou ter sido abordado para participar de uma encenação. No relato, ele cita a prestadora de serviços Marcela Maria Mendes, que teria sido apresentada sob o nome fictício “Jailma” para fingir ser a vítima em entrevistas.
O encaminhamento dos documentos ao STF eleva o nível institucional da controvérsia e obriga uma avaliação técnica antes de qualquer conclusão. Politicamente, o caso acende alerta sobre o risco de instrumentalização de denúncias em disputas eleitorais e pode ter efeitos de dupla via: se houver comprovação de montagem, haverá desgaste para quem promoveu ou divulgou a versão; se a suposta armação não se confirmar, restará a marca da suspeita sobre o denunciador. Em ambos os cenários, a disputa tende a alimentar narrativas conflitantes que complicam a agenda dos envolvidos.
Agora sob análise do Supremo, o episódio deve seguir em ambiente institucional, com possibilidade de novas diligências. Enquanto isso, a troca de acusações mantém a pressão política e amplia o debate sobre responsabilidade na apresentação de denúncias sensíveis em período de forte polarização.