O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido para bloquear até R$72 milhões em bens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ação, registrada na quarta-feira (16/9), sustenta que recursos usados para financiar o filme Dark Horse teriam relação com operações que envolveram a RioPrevidência, o fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

Na petição, Lindbergh associa aporte feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao financiamento da produção sobre Jair Bolsonaro e afirma que parte desses valores teria relação com negócios que envolveram mais de R$3,6 bilhões aplicados pela RioPrevidência em operações ligadas ao Banco Master. O deputado cita movimentações que teriam passado por um fundo no Texas, o Havengate Development Fund, apontado como ligado a pessoas próximas ao deputado Eduardo Bolsonaro.

O próprio Flávio já confirmou ter procurado Vorcaro para captar recursos para o filme, mas nega irregularidade: diz tratar-se de investimento privado em projeto privado e afirma não ter recebido vantagem ou oferecido contrapartida. Lindbergh, por sua vez, disse acreditar na existência de ligação entre os recursos e o desvio da RioPrevidência, mas não apresentou provas públicas dessa conexão no vídeo em que anunciou a iniciativa. O objetivo declarado do pedido é resguardar patrimônio para uma eventual indenização a servidores aposentados prejudicados.

Além do efeito jurídico, o episódio tem desdobramentos políticos evidentes. O pedido de bloqueio amplia o foco sobre operações financeiras vinculadas a figurões do entorno bolsonarista e complica a narrativa oficial sobre a origem dos recursos. Se o STF acatar medidas cautelares, a repercussão pode aumentar o desgaste do grupo político ligado ao presidente e elevar a pressão por esclarecimentos detalhados. A origem dos repasses e a transparência das aplicações na RioPrevidência permanecem como questões centrais para avaliar o risco político e o impacto institucional do caso.