O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma petição que solicita a revogação da prisão domiciliar concedida a Jair Bolsonaro. Segundo o parlamentar, a divulgação pública de uma carta escrita pelo ex-presidente e lida em uma transmissão pelo senador Flávio Bolsonaro configura violação das condições impostas pelo regime, que vedam o uso de redes sociais e a difusão de mensagens por terceiros.

Na peça encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, Lindbergh sustenta que a carta foi redigida na manhã da divulgação, durante visita familiar autorizada, e tinha como finalidade ser levada às redes sociais — o que, na visão do autor, demonstra tentativa deliberada de burlar as restrições. O deputado também afirma que a própria transmissão deixou claro a origem e a autoria do texto, transformando o ato em infração grave das determinações judiciais.

Além de pedir a regressão ao regime fechado, a petição requer a preservação integral do vídeo publicado no YouTube, a intimação da defesa de Bolsonaro e da Procuradoria-Geral da República para manifestação, a aplicação de multa de R$ 100 mil ao senador Flávio Bolsonaro e o envio de cópia dos autos à PGR para eventual apuração penal. O conjunto de pedidos desenha uma estratégia para forçar respostas administrativas e criminais a partir do episódio.

O episódio acende um alerta político: além do risco jurídico para o ex-presidente e para o filho, a leitura pública em apoio à pré-candidatura de Flávio reforça críticas de adversários sobre dependência e coordenação da campanha. Se o STF entender pela violação, a regressão ao fechado implicaria não apenas custo processual, mas custo político imediato para a estratégia eleitoral do núcleo bolsonarista. A petição está agora nas mãos de Alexandre de Moraes, que poderá requisitar manifestações da defesa e da PGR antes de decidir.