O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou notícia-crime na Polícia Federal pedindo que o nome do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) seja incluído como investigado na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios do INSS. No documento, Lindbergh sustenta que há elementos objetivos que justificam a apuração do vínculo entre Flávio e a estrutura sob suspeita.

A representação cita reportagem do UOL que identificou uma conta vinculada a Flávio ao mesmo sistema de acesso bancário usado pelo advogado Willer Tomaz — alvo de investigações por suposta lavagem de dinheiro no esquema do INSS — e por uma empresa do advogado sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Lindbergh chama atenção para o fato de que a desvinculação da conta foi solicitada em maio de 2025, cerca de um mês após as revelações públicas da operação.

Além de pedir a inclusão de Flávio nas apurações, o deputado requer a quebra de sigilos bancário e fiscal do político e do escritório de advocacia, rastreamento das movimentações financeiras e cooperação internacional com Portugal e Estados Unidos. A representação também aponta elementos que, segundo Lindbergh, autorizariam a investigação de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção e obstrução das investigações, bem como possível irregularidade eleitoral relacionada à campanha de 2026.

O encaminhamento ao ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo caso, André Mendonça, está entre os pedidos formais, dada a prerrogativa de foro. O documento, portanto, coloca nova pressão institucional sobre a investigação e sobre a campanha de Flávio Bolsonaro: se aceitas, as diligências solicitadas ampliariam o alcance das apurações e tornariam públicas movimentações e relações que hoje estão sob sigilo.

Do ponto de vista político, a iniciativa acende alerta para o entorno do candidato e pode ampliar desgaste em um momento de consolidação da pré-campanha. A PF e a defesa de Flávio ainda não se manifestaram oficialmente sobre a representação; o desfecho dependerá de avaliação preliminar da Polícia Federal e, possivelmente, de decisão do STF sobre o prosseguimento das medidas solicitadas.